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LANÇAMENTO
Editora Globo, Ryoki
Inoue e Livraria da Vila convidam para o lançamento do
Livro
Escrito por
ryoki
às
13h07
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O atraso que vem de cima ou O Regresso para a Idade Média - 1
A
Atlantis teve êxito em sua missão. Pelo menos, até o
presente momento, tudo está correndo bem lá em cima, fora a perda
de um parafuso, uma porca e uma mola. Segundo consta, a porca sumiu no espaço,
sem causar maiores preocupações momentâneas. Já o
parafuso e a molinha, por terem escorregado pela fuselagem da nave, deixam
uma ponta de medo de que eles penetrem em algum lugar indevido e venha a
prejudicar fios e tubos...
Mas
acho que tudo vai dar certo. Afinal, não é a primeira vez
que o homem tenta colocar um parafuso, este não entra, cai e simplesmente
desaparece. E o carro continua funcionando normalmente. Esperemos que o mesmo
princípio se aplique a uma nave espacial.
Contudo,
trapalhadas à parte, é inegável o valor científico
do feito. Ir ao espaço, passear entre os corpos celestes, deixar a prisão
da gravidade... Ninguém poderia sequer imaginar isso sete séculos
atrás.
Aliás, até mesmo bem depois disso, até que terminasse
o horror da Inquisição, perigava alguém que ousasse pensar
nessas loucuras ir para a fogueira. Hoje, quem não acredita que isso
seja possível é que se torna queimado entre seus amigos, conhecidos
e até mesmo parentes.
O mundo evolui, o que vale dizer que o homem evolui.
A
todo instante estamos vendo o progresso da Ciência, os novos medicamentos
customizados de acordo com o DNA do paciente, as novas técnicas de cura
que implicam na utilização de células muito jovens (não
quis dizer células-tronco justamente para não despertar a polêmica
antes da hora).
E,
ao lado disso, o que vemos, também?
Vemos
a Igreja Católica posicionar-se contra a utilização
de embriões inviáveis – mas não tão inviáveis
que não pudessem produzir as tais células jovens imprescindíveis
para o tratamento de tantas pessoas e que, até poucos anos atrás
não tinham mais esperanças de poderem continuar vivas. Vemos
nosso Papa, Herr Hatzinger, dizer que a teoria do evolucionismo é irracional...
Vemos todos os padrecos, padres, cônegos, bispos, arcebispos, cardeais
e o próprio Papa queixarem-se da formidável diminuição
das vocações religiosas. Mas, o que não se mostra à mídia, é que
a própria Igreja Católica cria os mais inacreditáveis
entraves para quem quer manter uma mínima que seja chama de religiosidade.
Por
exemplo, há seis meses quero batizar minha neta, e não consigo.
O padre exige que os padrinhos façam um curso de padrinhos e – o
que definitivamente inviabiliza qualquer tentativa de batizá-la – seus
pais, meu filho e minha nora, não são casados na Igreja.
Conclusão: Caroline provavelmente será ovelha de outro rebanho,
uma vez que este pastoreio a recusou, e o resto da família correrá o
risco de extraviar-se e passar a seguir um outro pastor que proporcione pastos
mais fáceis de digerir e água sem tantos lobos por perto.
Não tivéssemos sido criados em regime estritamente católico,
minha mulher e eu, com certeza teríamos aceitado o oferecimento de um
nosso conhecido, umbandista, que garantiu não ser preciso nenhuma frescura
para batizar a menina num terreiro de candomblé...
Voltando
ao nosso Herr Hatzinger, fico imaginando se ele alguma vez já pensou
por sua própria cabeça, deixando de lado os mofados livros em
latim escritos até antes da Idade Média e os velhos grimoires
cheios de fórmulas e de orações que os padres da Idade
das Trevas escreviam – e escondiam deles mesmos.
Categoria:
Contos e Crônicas
Escrito por
ryoki
às
19h12
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O atraso que vem de cima ou O Regresso para a Idade Média - 2
Não posso acreditar que um homem – sim, pois não deixa de ser um homem, tanto assim que nasceu e há de morrer – como Herr Hatzinger, vivendo em pleno século XXI e com a obrigação de fazer uma aproximação da Igreja com a Modernidade, possa continuar a pensar que Darwin nada mais era do que um herege pecador e que a vida na Terra surgiu pura e simplesmente de um sopro de Deus. Assim, sem mais nada, sem a menos interferência do movimento browniano de moléculas, sem nenhuma obrigação de adaptação para a sobrevivência. Se isso fosse verdade inconteste, onde estarão os dinossauros vivos nos dias de hoje? E os mamutes? Por que eles perderam o pêlo, diminuíram as presas e alargaram as patas? Por que, enfim, transformaram-se em simples e simpáticos elefantes?
Não estaria aí uma prova da validade do evolucionismo?
E não haveria uma certa analogia do pensamento de Herr Hatzinger com o de um seu outro execrável conterrâneo, Herr Adolf, no que concerne a uma tendência de purificação, não étnica, mas sim religiosa? Por que o nosso Papa há de colocar o Deus dos Muçulmanos num plano inferior, ou seja, por que ele haveria de desdeificar Alá, se Alá é nada mais e nada menos que o nosso Deus para os muçulmanos? Teremos de todos os componentes da humanidade sermos filiados ao mesmo partido religioso? E onde está o privilégio – aliás dado pelo próprio Deus, embora não haja certidão do Céu com firma reconhecida, como bem queria o Poetinha – do livre arbítrio? Então Abdallah tem de adorar o Deus dos católicos porque aquele que lhe foi incutido desde as mais priscas eras simplesmente não vale?
E, para finalizar, Herr Hatzinger condena veementemente as guerras santas. Concordo. Toda e qualquer guerra deve ser condenável. Mas ele posicionar-se como se o catolicismo jamais tivesse partilhado dessa tendência, é um absurdo histórico. Então as Cruzadas – devidamente abençoadas pelos Papas de plantão – não foram guerras santas?
E quando Herr Hatzinger diz que o caminho para Deus jamais passa pela violência, como fazem os muçulmanos que impõem à custa de armas a fé no Corão, está esquecendo que a Igreja Católica fez igual, se não pior ainda, na época da Inquisição, quando obrigava judeus a negarem sua fé e – até mesmo mudando seus nomes – abraçarem o catolicismo. Sob pena de fogueira, se acaso se recusassem.
Na Homilia da Missa que oficiou em Regensburg, Alemanha, Herr Hatzinger condenou o fanatismo. Também concordo. Todo e qualquer fanatismo, especialmente o religioso, tem de ser condenado. Mas nosso Papa nada disse sobre a Opus Dei... E olhem que ela é apenas uma migalha de fanatismo dentro da Religião Católica.
Mas vamos deixar essa história da Opus Dei para uma outra ocasião, caso contrário vamos ficar escrevendo horas a fio...
Por enquanto, por hoje, apenas vale deixar aqui registrada a minha decepção com relação ao mais alto dignitário do Catolicismo, aquele que é o representante de Deus na Terra e o ocupante do Trono de São Pedro: não dá para entender por que não se pensa em evolução, dentro do Vaticano.
E, se não para evoluir, então o Vaticano deveria ser iluminado à luz de velas, usar tambores e pombos-correio no lugar de telefones e internet, andar de jegue em vez de usar um papamóvel e, por fim, jamais por os pés dentro de um avião – afinal se Deus quisesse que os homens voassem, ter-lhes-ia dado asas.
Categoria:
Contos e Crônicas
Escrito por
ryoki
às
19h12
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O Brasil é maior do que seus políticos
Mas será, mesmo? Ou, melhor perguntando, se for, por quanto tempo agüentará? Será que Deus é tão brasileiro a ponto de nos dar a capacidade de resistir eternamente a tudo isso que é feito – pelo menos parece – de propósito para destruir este país? Ou será que Ele é tão pândego que só pensa em gargalhar das coisas realmente inacreditáveis que vemos acontecer por aqui?
Muitas vezes penso que é esta segunda alternativa a mais válida. Deus se entristece assistindo de Seu trono no Céu as barbaridades cometidas no Iraque, no Afeganistão, na Chechênia e em muitos outros lugares. Certamente chega a derramar Suas lágrimas divinas ao ver tantas crianças morrendo de fome na África... Muito provavelmente revolta-se com a teimosia dos homens que insistem em produzir armas de destruição em massa. Irrita-se com a excessiva ganância dos poderosos que, para se tornarem ainda mais poderosos – e só para isso, realmente, pelo poder – não hesitam em exterminar os mais fracos que, segundo esses mesmos poderosos, não têm importância nenhuma, existindo apenas para superpovoar o mundo e, com isso, constituírem populações maiores ainda de famintos. Conseqüentemente, mais problemas para os mais ricos.
Esquecem-se esses mais ricos que só se tornaram assim graças ao trabalho, ao suor e ao sangue desses mais pobres.
Mas estava eu dizendo que Deus – que também tem sentimentos – fica triste com tudo o que vê de errado no mundo. Ora, como diz a Bíblia e nós, pobres crédulos que somos, acreditamos, da mesma maneira que a Ira de Deus é terrível, a Sua tristeza deve ser imensa... E seguindo a teoria da dualidade das coisas, se há uma tristeza imensa, tem de existir... uma pândega também imensa.
Conclusão lógica: a pândega de Deus é imensa.
E Ele há de ter onde descarregar essa pândega, pois não nos é possível imaginar que Ele se desaguache lá mesmo no Céu, pregando peças em São Pedro ou contando piadinhas racistas para São Benedito. Deus tem de ter uma válvula de escape aqui na Terra e...
Penso que estou certo a cada dia que passa e que mais se aproxima do fatídico 1º de outubro, quando haverá a enorme probabilidade de sacramentar-se a maior besteira deste lado do Meridiano de Tordesilhas desde o Dia do Descobrimento, ou seja, quando cerca de 61 milhões de ingênuos farão voltar – melhor dizendo, deixarão permanecer – uma situação de caos, de mentiras, de crimes e de prevaricações jamais vista nesta terra.
Ele, o nosso Deus, só pode achar graça nisso tudo que está acontecendo.
E como não rir? Como não rir de um povo que se deixa enganar permanentemente, que não percebe – ou simplesmente não acredita naqueles que percebem – que tudo isso não passa de uma comédia? E, diga-se de passagem, de uma comédia ruim, daquele tipo pastelão, que o expectador ri mais de raiva do que da impossível graça que lhe foi tentada transmitir?
Como é possível não rir de nossa própria benevolência – para não dizer ingenuidade ou burrice – por nada fazermos apesar de termos visto na telinha, o presidente-candidato descer de um avião da FAB para ir fazer um comício de campanha? Sim... Já sei que os do contra, mesmo amigos meus, dirão que ele foi até aquela cidade numa missão oficial e que o comício aconteceu depois do expediente. Sim... Mas o avião presidencial foi embora sozinho? Ou esperou pelo presidente-candidato? Será que só ele-lá-lá tem direito a condução sustentada pelos contribuintes?
Não vi uma menção de um só jornalista a esse respeito... Onde está a nossa imprensa?
Ah! Já sei! Ela está lá-lá...
Mas... Voltando a Deus. É mais do que sabido que Deus prega – ou ordena, uma vez que, afinal de contas, Ele é o dono de tudo e muitas e muitas vezes nos deixa com a certeza de que somos filhos do leiteiro e não do dono – a humildade.
E deve dar muita risada quando escuta a propaganda eleitoral em que ele-lá-lá diz com a maior cara dura-hirsuta: “Agora, conheço o mundo e o mundo me conhece”.
De fato...
Maior humildade é impossível. Mas, talvez ele-lá-lá tenha razão. O mundo o conhece, especialmente os biólogos que, hoje, têm uma nova espécie para estudar: Bufo hirsutus.
E só espero que Deus, tendo o palhaço de quem rir, deixe um pouco de lado a Sua ira e sorria com benevolência para nós, pobres brasileiros, e permita que surja – agora, acho que mesmo só por milagre – um tuiuiú de bico forte e estômago mais ainda, que engula o Bufo hirsutus e, como sobremesa, faça uma limpeza na lagoa e elimine todos os candirus que por lá-lá se encontram, parece que com a única finalidade de entrar no buraco dos outros...
E, mais uma vez, que me perdoem os tuiuiús, os candirus e, especialmente os sapos, que não merecem ter um colega de gênero tão ruim.
Categoria:
Contos e Crônicas
Escrito por
ryoki
às
22h39
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