BLOG do Escritor  
Ryoki Inoue
HOME
 
DOWNLOADS

  Livro A BRUXA  ( PDF )

LEIA NESTE BLOG
  Todos os textos
  Arte e Literatura
  Contos e Crônicas
  Espaço do Leitor

LINKS
  Site Oficial
  Perfil
  Biografia
  Ryoki BlogSpot
  Comunidade Orkut
  Uol K
  Nicole K.

HISTÓRICO
 Ver mensagens anteriores


  Avalie esse blog
 Indique esse blog
 
 
Site Oficial
ryoki.com.br
Livros Publicados
1.073
Contato
Envie um email
jazz radio
   
XML/RSS Feed
 
 
 
 
 

Contos e Crônicas



JUS ESPERNEANDI

A Justiça dos homens – e muito provavelmente, a desta nossa amada terrinha, em especial – concede ao réu o direito de espernear. Mormente quando se trata de um réu de cheia carteira. É exatamente como na fábula de Lobato, O sapo e o latão de leite, em que um gordo Bufus sp., vai parar dentro de um latão de leite e, persistente, esperneia sem parar e acaba por se salvar porque, com toda a sua movimentação, o leite se transforma em manteiga. Ora, isso só foi possível porque o leite era gordo – portanto, rico – e teve condições de se transformar em manteiga. Fosse o leite ralo, magro, pobre, o sapo teria morrido, o leite jamais se transformando em manteiga.

O réu de rica carteira pode espernear, pode lançar mão do jus esperneandi, pois tem como sustentar os advogados, tem como bancar as custas de um longo processo, de uma seqüência inimaginável de movimentações jurídicas que culminam, indefectivelmente, num prolongamento do tempo de processo e até mesmo a que este venha a terminar quando uma eventual pena já esteja devidamente prescrita.

E isso, é óbvio, sem contar com os incríveis, complicados e demorados meandros processuais que fazem com que o réu venha a ser julgado, a sentença proferida – e depois ou o julgamento é anulado ou a sentença é reformada. O resultado, não importa o que aconteça, é sempre o mesmo: impunidade para os ricos culpados e grade para o pobre, seja este culpado, semi-culpado ou até mesmo inocente.

Está certo, minha senhora e meus senhores... Pelo menos filosoficamente não existe meio culpado, assim como não pode existir uma mulher que esteja meio grávida, ou alguém que seja meio homossexual. Essas coisas, não admitem meio-termo, bem sei. Mas somos obrigados a admitir – não concordam? – que há uma diferença significativa entre aquela mãe pobre (vejam bem que não se trata simplesmente de uma pobre mãe) que rouba um pote de margarina no valor de R$1,50 e o político que mete a mão em um milhão e meio de reais... E o engraçado é que este último não vai parar atrás das grades, enquanto a mãe pobre fica meses mofando numa cadeia imunda.

Mas citei como exemplo de desonesto rico um político qualquer e cometo, com isso, uma injustiça. Temos a esperança de que nem todo político seja desonesto, criminoso. É bem verdade que seria preciso procurar com uma lanterna, tal como Diógenes... Mas deve existir. Impossível que toda a política esteja tomada por bandidos de gravata!

Acho que eu seria um pouco mais justo se mencionasse, também como exemplo de impunidade, os bandidos que já estão atrás das grades e que, mesmo assim, lá de dentro dos presídios devidamente transformados em escritórios administrativos do crime, continuam a gerenciar suas atividades, a ganhar rios de dinheiro e, graças a sólidas e imensas fortunas, seguem comprando desde carcereiros até desembargadores, passando por toda a escala cromática da hierarquia judiciária.

E isso sem levar em conta a palhaçada caríssima de se transportar criminosos de Catanduvas para o Rio de Janeiro, por causa de uma audiência. E o transporte é feito num jato executivo! Provavelmente com lanchinho a bordo, e isso se não houver o privilégio de um drinque. Importado, é óbvio.

E lá vai Fernandinho voando luxuosamente para o Fórum... E lá vem Fernandinho de volta para seu apê em Catanduvas... E nós, pagando, é claro.

Não tinha sido autorizado o sistema de julgamentos através de vídeo-conferência? E a troco dequê o raio do julgamento foi adiado? E onde será que Fernandinho vai esperar pela nova data? Será que numa suíte presidencial do Copa? Dinheiro para isso ele tem, se quisesse e pudesse optar. Mas para quê? O governo, com certeza, há de lhe proporcionar acomodações confortabilíssimas e... muito mais seguras e garantidas do que em qualquer cinco estrelas!

Enquanto isso, a mãe pobre mofa num depósito de presos. Cria bolor e revolta. O defensor público, se é que houve um, mal leu o processo, deixou que as coisas corressem. O juiz que deu a sentença – ou que simplesmente foi protelando o andamento do processo, por ser algo de pequena monta e que não haveria de gerar qualquer tipo de benefício – nem se deu o trabalho de analisar motivos, razões, situações. Ela roubou? Há de pagar! E fecha o processo, apressado, para atender o telefonema do advogado de um traficante de peso, dono de cinco casas de bingo, advogado este com quem se encontrou no jantar da véspera, durante o qual recebeu um envelope pardo e pesado, para lhe dizer que sossegasse, que até o fim do dia o seu cliente estaria em liberdade.

Ou seja, gozando em toda a plenitude a Impunidade.



Escrito por ryoki às 15h55
[] [envie esta mensagem]



Não vai sobrar ninguém

Por que será que não nos surpreendemos mais com essas notícias que vêm de Brasília? A cada dia que passa é uma novidade... E novidades que, em outros países, especialmente ao norte do Equador, seriam suficientes para, no mínimo, causar renúncias de cargos, demissões e – conforme o caso – até mesmo suicídios.

Mas aqui nesta terrinha abençoada por um Deus que se faz representar por Herr Hatzinger (daí, talvez, a certeza de sua falibilidade), as novidades acontecem, as denúncias surgem, há uma certa agitação – para inglês ver – e, assim que a poeira assenta, tudo volta ao status quo ante. Nada acontece, tudo continua absolutamente igual. Apenas nossos políticos sujaram-se um pouquinho mais – mas nada que uma boa lavadeira não consiga consertar, especialmente se essa lavadeira já estiver bem treinada numa certa forma muito peculiar de lavagem.

Agora foi a vez do Renan. Ele mesmo, o Calheiros, presidente do Senado. Um homem que deveria ter conduta exemplar, comportamento a servir de modelo.

Mas não... Eis que surge uma filha, uma mulher que o leva à Vara de Família por causa de pensão alimentícia e comprovação de paternidade. Coisas que costumamos ver nos jornais, implicando pessoas de esferas político-sociais bem mais baixas e que, vez por outra, acabam em tragédia.

Aliás, a bem dizer a verdade, a tragédia aí já está: o presidente do Senado envolvido com propinas, presentes inadequados, aventuras extra-conjugais, filha fora-de-hora. Um caso amoroso ainda pode ser perdoável – desde que exista realmente o amor. Não é porque um indivíduo está ocupando a cadeira central da mesa do Senado que ele está livre de se apaixonar, de sentir a necessidade de mudar a vida. Tal fato já ocorreu com tantos... Veja-se o exemplo do Ciro Gomes. Mas ele assumiu. E o caso não foi parar em nenhuma Vara de Família.

Com o Renan foi bem diferente. A prova de que não houve amor está justamente no fato de a mulher envolvida ter de ir parar diante de um Juiz para discutir pensão alimentícia e paternidade. Se amor houvesse, esses detalhes seriam absolutamente supérfluos. Como dizem os advogados, intempestivos, impertinentes e extravagantes.

Outro fator a ser considerado: ao assumir um “rebento”, é no mínimo mais ou menos normal que o pai assuma o seu sustento tirando do próprio bolso as despesas decorrentes da existência de um ser que, de fato, não pediu para vir ao mundo. E o Renan “entregou” a lista dessas despesas para uma empresa... Que certamente não aceitou tal encargo simplesmente pelos belos olhos envidraçados do Senador. Sabemos todos que no mundo dos negócios e da política, não há essa história de ir para a cama por amorzinho... Há pagamento, troca, barganha, escambo. Isso sim.

No episódio Renan, houve apenas um “caso”. Tão fortuito que as conseqüências acabaram por gerar a confusão. E a confusão não é a menina – por sinal, se puxou a mãe, será bem bonita – mas sim a necessidade patológica de seguir errado aquilo que começou torto. Houve o erro – de cálculo, de comunicação, de pontaria – e parece que o implicado na história pensou seguindo a velha norma do “perdido por perdido, perdido e meio”. E isso para ser delicado... Por que gastar o meu dinheiro se é tão simples fazer com que outros gastem por mim? Por que pagar por um ato se outros podem fazê-lo por mim? Na verdade, parece ser esta a sina do brasileiro – o comum, aquele que trabalha e sofre calado, aquele que não foi laureado com um diploma de político e nem deixou um lugar reservado no Inferno – aquele que Herr Hatzinger garantiu que existe para punir as pessoas que andam mal nesta vida – e transformaram-se em empresários ou profissionais corruptos. A sina do brasileiro é pagar para qe outros usufruam. Cinco meses de trabalho por ano só para pagar impostos! E ainda se valesse a pena...!

Mas é isso aí... A julgar pelo que andamos vendo nestes últimos tempos, periga de não sobrar ninguém no Congresso, no Judiciário, no governo.

Mas, como já foi dito antes e até virou título de livro, sempre há esperança.

E a esperança é praticamente uma certeza, pois o Poder Judiciário, num formidável mecanismo de auto-defesa, acabará por absolver todo mundo – ou quase todo mundo, deixando um ou outro Tiradentes ser sacrificado – de forma que sempre sobrará muita gente.

Concomitantemente, o Congresso fará o mesmo.

E nós continuaremos a acreditar no IBGE, no IBOPE, nos índices, nas porcentagens, nas palavras e lágrimas do Presidente... Continuaremos a pagar impostos para assistir ao desgoverno, para ver nossos representantes ganharem fortunas por mês, para ver os três pilares da nossa sociedade – a Segurança, a Educação e a Saúde – esboroarem dia após dia, governo após governo.

E Deus – que disseram ser brasileiro – parece achar graça.
O que não é contraditório, pois nós somos mesmo uma piada. Pena que seja uma piada muito sem graça.



Escrito por ryoki às 12h09
[] [envie esta mensagem]



Mais um para ouvir nossas orações

E, talvez por ser um santo fresco, ele possa ter mais acesso ao Todo Poderoso. Mais, por ser um santo tupiniquim, pode ser que entenda melhor nossos problemas e interceda junto à Chefia com os pedidos certos. Como diria Rui Barbosa, “tempestivos, pertinentes e intravagantes”.

Sim, pois os santos a quem estamos acostumados a rezar são europeus em sua maioria e, justamente por isso, a eles não é dado compreender o nosso modo de ver as coisas, a nossa maneira de enxergar o mundo, seus obstáculos e suas exigências. Pode ser, mesmo, que estes santos do Primeiro Mundo, jamais consigam entender que as regras – especialmente aquelas relacionadas com a moral – são completamente diferentes aqui, nesta parte de baixo da Linha do Equador.

Assim, rezemos para Frei Galvão.
Peçamos que ele encaminhe à Direção do Universo um requerimento – obviamente em cinco vias, todas devidamente autenticadas e com firma reconhecida – solicitando que aos nossos homens públicos seja dada a virtude de desviar um pouco os olhos de seus próprios umbigos – nos melhores casos, do umbigo e interesses de seus partidos – e procurem enxergar o povo. Que eles possam perceber que a imensa maioria dos brasileiros vive sem nenhuma perspectiva de um amanhã, vive apenas dia-após-dia, da mão para a boca e tentando sublimar quaisquer preocupações com um futuro, pois este é tão incerto quanto o mar.

Peçamos que aquela fatia de brasileiros encarregados de fazer cumprir a Lei e de manter a Ordem, façam-no com sabedoria, compreensão e – no mínimo – honestidade, para que deixem de acontecer os casos de corrupção da polícia, da administração e até mesmo do judiciário.

Peçamos que os meus ex-coleguinhas – antes vestidos de branco e hoje usando gravatas de fazer inveja a um certo rabino – comecem a lembrar do Juramento de Hipócrates e passem a exercer sua profissão com os olhos e o coração voltados realmente para as necessidades de seus pacientes e não para a saúde de suas contas bancárias. O Sistema de Saúde – e não apenas o Único, que de tão único passou a ser inexistente, mas o sistema como um todo – precisa ser acessível a todos. E com qualidade idêntica para qualquer Silva, seja ele o presidente da república ou o humilde Zé da Silva, gari de uma cidade mínima. Morrer por não poder pagar... Isso também é ser vítima de assassinato.

Peçamos que nossas crianças e nossos jovens possam estudar equanimemente. Quer dizer, em suma, que o ensino seja bom no país inteiro. Que uma escola no interior das Minas Gerais ensine a mesma coisa, da mesma maneira e com a mesma qualidade daquela que se encontra num grande centro.

Peçamos que a polícia – as forças de segurança, de um modo geral – sejam respeitáveis para que possam ser respeitadas. E que deixem de ser motivo de medo tanto quanto o são os bandidos que ela apregoa prender e que, na realidade, não conseguem – ou não querem uma vez que não deve ser muito fácil dar voz de prisão a sócios.

Peçamos que nossos capitães-de-indústria – e o povo todo – abram os olhos para uma consciência mais ecológica, que pensem e admitam que o progresso tem de vir, no mínimo a partir de agora, antes que seja tarde demais, com a utilização de energia limpa e fontes energéticas sustentáveis. Não é possível deixar acontecer o Inferno de Dante ou o Apocalipse simplesmente por ambição desmedida e por falta de visão em relação ao futuro. Em resumo, por mero egoísmo das gerações atuais. Temos de ganhar dinheiro e, se para isso for preciso destruir o mundo, não estaremos mais aí para presenciar o resultado de nossos atos.

Peçamos que o nosso povo tenha mais discernimento na hora de votar, aprendendo a distinguir os bons dos maus, aprendendo a separar o joio do trigo. Principalmente aprendendo a ver as diferenças entre um sapo, uma raposa e um Homem. Assim mesmo, com “H” maiúsculo.

E, por fim, o mais difícil...

Peçamos que o Gerente Supremo capriche um pouco mais na escolha de seus representantes para esta dimensão e não deixe que prossiga a invasão do clero por homossexuais, pederastas, mercenários e indivíduos que conseguem reunir todos – se não a maioria dos – defeitos de fabricação que a Indústria Criativista pôde fabricar.

E, justamente por ser um santo brasileiro, peçamos a ele que, se necessário, faça uso dos artifícios que esta Terra de Cabral tão bem conseguiu desenvolver no correr dos últimos cinco séculos: uma propinazinha pode acelerar as coisas, pode apressar as decisões, especialmente se o sistema judiciário dessa outra dimensão em que ele se encontra seja semelhante à nossa, aqui do Planalto, em que os requerimentos e processos só andam se impulsionados a dólares...

Rezemos, portanto a Frei Galvão... Façamos promessas...

Promessas? Mas será que a promessa a um santo não é uma forma de propina? “Se eu ganhar na Mega-Sena, dou 20% do prêmio para a Igreja...” Isso é propina, minha gente!

Então... Os santos também usam esse sisteminha... Trabalham se impulsionados a promessas.

Mormente em se tratando de um santo tupiniquim.

Mas, a esperança é sempre a última que morre. E enquanto ela estiver agonizando, vamos rezar e fazer promessas.

Depois de ler isso, os prezados e horrorizados amigos poderão pensar que eu me tornei agnóstico. No mínimo, ateu.

Mas não é bem assim.

Pelo menos, quero acreditar num Deus. Um Deus que, como reza a Bíblia Sagrada, é Boníssimo e Justíssimo – destarte não permitindo as desigualdades que grassam neste mundo. Que seja Onisciente e Onipotente – assim, conhecendo as necessidades de Seus filhos e impedindo que estas se transformem em desculpas para a violência e a miséria espiritual. Que saiba escolher Seus ministros e impeça que crianças inocentes e pessoas adultas mal orientadas sejam vítimas de estupros, molestamentos e outros constrangimentos que, de uma forma ou de outra acabarão por deixar marcas nessas pobres almas. Que diga a Seus ministros mais destacados – especialmente a “Herr Hatzinger” que é preciso pensar no progresso da humanidade, na evolução da ciência e, sobretudo, na evolução dos costumes. E que é preciso a Igreja ser coerente: não faz sentido pregar a igualdade, ela mesma fazendo valer tanta desigualdade, fazendo e mostrando a quem quiser ver distinções hierárquicas e materiais que, mais uma vez no mínimo, levam ao descrédito de suas próprias pregações.

E, para aqueles que me conheceram em outros tempos, digo, repito e sublinho: não me tornei comunista, nem mesmo socialista.

Apenas, com o passar dos anos, fui me tornando mais cético. E, talvez, mais sonhador.

Justamente por isso, e apesar de tudo, ainda sonho com a possibilidade de Frei Galvão realmente interceder por este nosso pobre e desamparado Brasil.



Escrito por ryoki às 19h05
[] [envie esta mensagem]



Pisca-Pisca

Bem no início da década de 60, nós estudantes que frequentávamos o bairro de Santa Cecília, o conhecemos e com ele passamos várias noitadas.
Era um homem branco, alto, simpático, com um cavanhaque "ao natural", de cabelos bem pretos e lisos. Se estivesse metido em roupas boas e caras, poderia facilmente passar por um aristocrata mas, nos farrapos que usava...
Jovem ainda, mostrava nitidamente os sinais de alcoolismo crônico: edema anarsáquico discreto, andar vacilante, tremores... Não teria mais salvação, disso todos sabiam, ele inclusive.
Chegava-se às mesas de calçada do restaurante Chic-Chá, na Avenida Angélica, e perturbava os fregueses pedindo uma esmola para comprar pão. Quando conseguia comover algum deles, com a maior caradura, caminhava para o balcão do próprio Chic-Chá e comandava, altivo, ao garçom:
— Me dá uma pinga aí!
E, com estardalhaço, punha o dinheiro sobre o mármore, sorrindo para quem lhe dera a esmola. Apanhava o copo e, solenemente, brindava o seu benfeitor:
— À sua saúde! — gritava.
Procópio, Mário e eu éramos fregueses assíduos desse restaurante, inclusive considerados fregueses "quentes", já que nossa consumação não se limitava aos chopinhos com batatas fritas mas frequentemente era de uísque com filezinho ao palito... Estudávamos até tarde da noite e, para espairecer, íamos tomar um drinque lá, esfriar a cabeça. Íamos ajudar o Mário a gastar a gorda mesada que o pai lhe mandava de Brasília.
As vezes tínhamos a sorte de encontrar o Pisca-Pisca por lá e, maldade de adolescente, nós o chamávamos para judiar do dono do bar, também nosso amigo, e para aborrecer os outros fregueses:
— Ei! Pisca! Venha tomar uma cana com a gente!
Seu apelido, Pisca-Pisca, vinha-lhe de um cacoete que o fazia abrir e fechar os olhos rapidamente, apertando muito as pálpebras, sempre que começava a ficar nervoso. E, diga-se de passagem, ele ficava nervoso bem à-toa!
Nunca conseguimos descobrir quem era ou o que tinha sido o nosso amigo.
Percebíamos que sua cultura não era nada má, conhecedor que era de vários títulos de livros, diversos autores e outras coisas assim. Não se deixava enrolar em uma conversa e parecia ter viajado muito: descrevia cidades de diferentes estados com detalhes só possíveis para quem já tivesse estado por lá. Gostava de política e, tinha bom conhecimento do assunto. Obviamente, era oposicionista mas, por incrível que possa parecer, nem ao menos era socialista. Paradoxalmente era lacerdista ferrenho.
— Mas Pisca! — falávamos para o chatear — Se o Lacerda aparecer por aqui, você está frito! Não ouviu dizer que ele joga todos os mendigos no rio?
Nosso amigo se inflamava:
— Não sou mendigo! — dizia, piscando, apertando os olhos e se agitando — Estou vivendo uma situação difícil, isso é verdade... Mas não sou mendigo, não senhor!
A corda pegava.
Começávamos a instigar os brios do homem, e a caçoar dele:
— É verdade, doutor! O senhor não é um mendigo não!
A juventude é sádica e não dá tréguas em semelhantes ocasiões. Agíamos assim, apenas para ver o pobre bêbado piscar, piscar, apertar os olhos, esfregá-los com as costas da mão suja e beber, beber sem parar. Não nos importávamos com a conta que teríamos de pagar, achávamos que essa maldosa diversão valia qualquer despesa. Nunca nos ocorreu que o Pisca-Pisca, talvez piscasse para não chorar...
Depois de muito torturar o pobre homem, íamos embora, cada um para a sua casa, para o quentinho de seu quarto enquanto o Pisca-Pisca lá ficava. Ia dormir, como sempre, nas escadarias da Igreja Coração de Maria. Não nos incomodávamos, aliás, nem sequer pensávamos nisso. Terminada a noite, pagávamos a conta, despedíamo-nos uns dos outros e saíamos.
Pisca-Pisca ficava para trás: era um objeto que fazia parte do nosso folclore noturno, nem mesmo lembrávamos que ele era humano, que sentia frio, fome e carência afetiva como qualquer um de nós.
Às vezes se passava uma semana inteira sem que o encontrássemos.
Então, uma noite qualquer, o víamos surgir, o andar grotesco, cambaleante. Ele nos via e estugava o passo, parecendo ainda mais simiesco. Cumprimentava um por um, chamando-nos pelo nome, sentava-se com a maior sem-cerimônia, chamava o garçom e pedia:
— Traz aí uma Brahma! E um conhaque que é para quebrar o gelo!
Uma noite, ele chegou ao bar antes de nós.
E, não se sabe como nem por quê, criou um caso com outro mendigo que passava. Quando chegamos, uma roda de curiosos (inclusive a polícia) se acotovelava para ver a briga dos dois.
Os palavrões eram homéricos, cabeludíssimos, seus movimentos, seus golpes, seus tapas eram idênticos aos das brigas de palhaços no picadeiro de um circo.
A cena era tão cômica que chegava a ser ridícula.
Pela primeira vez tivemos realmente pena do nosso amigo.
O ridículo espetáculo nos fez sentir vergonha e querer acabar logo com aquilo. Parecia (reconhecemos isso depois de ter acabado tudo) que era um de nós que ali estava a dar vexame, a fazer e a passar vergonha.
Abrindo caminho por entre os curiosos, separamos a briga, não deixamos a polícia intervir e consolamos nossos bêbados gladiadores com o tipo de consolo de que eles precisavam: duas belas doses de conhaque para cada um.
Em poucos minutos a briga se transformou em amizade profunda, aquela amizade que une os bêbados e os fazem contar as mazelas da vida um para o outro e se tornarem confidentes.
Enquanto sentávamos para o uísque de fim de noite, nós os vimos descendo pela calçada da avenida Angélica, dizendo-se mutuamente:
— Você sabe o que já passei nessa vida! Me desculpe por hoje!
Depois dessa noite encontramos o Pisca-Pisca por várias vezes e notamos que piorava dia após dia. Sua saúde definhava e sua mente entorpecia.
Mas isso, se nos chamava a atenção, não chegava a nos perturbar, jamais foi um motivo de preocupação.
Nem mesmo notamos quando desapareceu.
Vieram os vestibulares com aqueles meses de estudos intensivos, com as grandes tensões dos exames, as angústias e ansiedades bem típicas dessa época de nossas vidas.
Entramos na Faculdade e, calouros orgulhosos de nossas cabeças raspadas, fomos para a primeira aula, a aula que desvirgina o acadêmico de medicina: Aulas Magna de Anatomia Descritiva.
Sobre a mesa, um cadáver coberto.
Quando o professor descobriu o corpo, nós três nos olhamos e não conseguimos reprimir as lágrimas.
Alguns colegas nos viram chorar e riram, divertidos.
Mas nós, só nós, sabíamos o por quê daquela emoção.
O cadáver sobre a fria mesa de mármore, nu, duro, já acinzentado pelo formol, aquilo que outrora fora um homem e que agora era um objeto de estudo, apenas um corpo a ser retalhado para os estudantes aprenderem alguma coisa, tivera vida um dia, e nessa vida, havia nos chamado pelo nome, bebido conosco, rido e chorado conosco.
Sim, era o cadáver do nosso amigo, o Pisca-Pisca.



Escrito por ryoki às 12h08
[] [envie esta mensagem]



Considerações sobre a Amizade

Um dia, um discípulo perguntou a Budha: “Mestre, o que é a Amizade?” Budha sorriu docemente e respondeu: “Nada mais do que uma bengala forte e segura”.

O discípulo, depois de muitas semanas de meditação, voltou à presença do Mestre e indagou: “Como se pode comparar a Amizade com uma simples bengala? Com um pedaço de pau?”

Budha levou o discípulo até a margem de um rio e mostrou-lhe a neblina baixa que impedia de enxergar o outro lado e falou: “Imagine que você tem de atravessar este rio e que a neblina não lhe permite ver além de uns poucos passos à sua frente. A trilha de pedras, que é o único caminho para o outro lado, é formada por rochas lisas, redondas e parcialmente cobertas pela água. É uma trilha muito perigosa... Uma queda, um escorregão, e não haverá como se salvar. O que é que você faz”?

Novamente o discípulo se recolheu para meditar sobre as palavras de seu Mestre e, depois de outras tantas semanas, voltou para dizer: “Eu faria uso de uma bengala, meu Mestre. Seria esse o sentido da Amizade?”

E Budha respondeu: “Sim. É esse o sentido da Amizade. Uma bengala, um apoio que será o seu auxílio para atravessar o Rio da Vida sem ter receio de escorregar em cada uma de suas etapas. A bengala é como a Amizade, firme, segura, eficiente, capaz de sustentar o seu peso num momento difícil, numa passagem que somente as suas pernas não seriam capazes de agüentar, mas com o apoio da bengala, você cria novas forças, você adquire uma nova energia e se torna capaz de vencer o obstáculo. E é por isso que a Amizade, como a bengala, tem de ser firme e forte. Ela precisa agüentar todo o seu peso, às vezes. E é também pelo mesmo motivo que a Amizade, como a bengala, deverá ser bem cuidada. Para que nunca se deteriore, para que não apodreça e se torne, de repente, frágil e quebradiça. Uma amizade é algo vivo, algo que necessita de cuidados para não morrer”.

O discípulo recolheu-se novamente por mais algumas semanas. Finalmente, ao tornar a aparecer diante do Mestre, falou: “Mestre, sendo a Amizade o ponto de apoio dos homens, quando todos se encostarem uns aos outros, todos se apoiarem mutuamente, então, nesse dia, não haverá mais nenhum que venha a cair nas águas do Rio da Vida... Não é assim?”

Budha não respondeu. Limitou-se a olhar para a frente, os olhos perdidos no infinito de suas meditações.

Talvez estivesse lamentando o fato de saber que isso jamais viria a acontecer.



Escrito por ryoki às 00h47
[] [envie esta mensagem]



Mudou de nome: a perseguida agora chama-se verdade!

É engraçado... Todos querem a verdade. Refinando: ambos a querem. No entanto, fogem dela. E não é ela que foge de ninguém, podem apostar. São eles. São os dois. Até parece a história do senhor já muito maduro, já pedindo ao médico não mais uma receita de Viagra, mas sim de alguma droga que o faça esquecer, que à noite, no leito conjugal, encontra as mais estapafúrdias desculpas para não cumprir o seu dever. E levanta-se da cama alegando qualquer coisa – até mesmo que escutou um barulho na cozinha ou que esqueceu de dar leite ao gato – só para poder fugir a obrigação. No bar, com seus companheiros e correligionários, arrota vantagens, mostra-se arrogante, diz que com ele não existe essa história de perseguida, mas sim de alcançada. À noite, a coisa muda... Ou então o outro, cheio de delicadezas e mesuras, que ergue um brinde de champanhe francesa e mostra ser capaz, também, de alcançar. Porém, a conquista realizada, não sabe o que fazer com ela.

Contudo, um deixa entender que não vai fazer nada mesmo, uma vez que já provou essa assertiva. Durante quatro anos, nada mais fez do que comer o pão. Infelizmente, o pão amassado pelo outro (ou por seus pares) durante os oito anos antecedentes. E ambos dizem perseguir a verdade. Como falei antes, possivelmente sem nenhuma vontade efetiva de alcançá-la, pois isto feito, terão de dar conta do recado e, nesse ponto, sabem-se incapazes.

Mas, sejamos justos. Dos dois perseguidores, o já tão falado Picolé de Sechium edule, saiu-se bem melhor. Também não sabemos se, lá para o fim do mês, ele vai chegar à perseguida... E muito menos o que vai fazer com ela depois. Já o outro, antes Bufo hirsutus e hoje Bufo apopleticus, deu-se mal. Por muito pouco não virava suflê de sapo com jiló, tão amarga estava sua expressão.

E, uma pergunta: seria mesmo água que ele estava constantemente bebendo? Alguém conseguiu ver algum passarinho bebendo do mesmo copo?



Escrito por ryoki às 18h19
[] [envie esta mensagem]



Sempre há esperança

Esta noite, às 20:00 hs, pela Rede Bandeirantes, terá lugar o segundo round do embate entre a utopia e a esperança. Lula vs. Alckmin. O primeiro round foi vencido – por pontos, e estreita diferença – pela utopia. Temos esperança neste segundo. Aliás, característica do povo brasileiro: sempre ter esperança.

Contudo, esse mesmo povo tem uma outra característica: é extremamente utópico. Pensa e crê em fantasias como se estas fossem realidades sólidas, comprováveis e factíveis.

Já por essa razão, devemos considerar um primeiro ponto de equilíbrio entre os dois contendores: tanto há esperança como defende-se a utopia.

Temos fé que, para esta luta, a platéia não continue a seguir a teoria proposta por Ludwig Wittgenstein em seu Tractatus Logico-Philosophicus, em que ele afirma que o homem se encontra numa sala e dela precisa sair; só que todas as portas são falsas – pintadas na parede. O homem tenta exaustivamente abri-las, mas é claro que não consegue. E – pior – não consegue ver que a única porta verdadeira está atrás dele. Para ganhar a liberdade, bastaria virar-se.

Mas a utopia – as portas pintadas – tem um aspecto mais bonito, parece mais atraente... E o homem insiste, tenta abri-las. Num relance, olha para trás, vê a porta verdadeira, mas despreza-a: uma porta com aspecto de velha, com a maçaneta grosseira e enferrujada jamais poderia ser a saída para a luz...

E ali estão as outras, todas novas, reluzentes, parecendo chamá-lo. Uma delas tem de ser a saída, ora bolas!

Esquece-se o homem de que a luz advém das trevas – a dualidade das coisas está aí para comprovar: só pode haver conceito de luz se confrontado com o de escuridão.

Mas voltemos ao nosso ringue. No corner vermelho, a utopia e no verde, a esperança. Ambos os contendores já disseram e alardearam possuir golpes mortais, fortes o bastante para levar o adversário a beijar a lona. Os analistas de plantão – leia-se comentaristas do tipo que preferem dizer quadrilátero em vez de ringue – afirmam que a utopia há-de derrotar a esperança usando os seus próprios pontos fracos. A imensa maioria baseados no passado, em lutas anteriores, em contendas que, correta ou incorretamente, foram vencidas. Já a esperança acredita na vitória por nocaute já nos primeiros minutos do embate. Conta, para isso, com uma fraqueza escarrada do adversário: falta de jogo de pernas – leia-se alicerce intelecto-cultural.

Ao mesmo tempo, parece – aos outros comentaristas, aqueles que são pelo menos um pouco mais preparados – que a esperança possui uma melhor capacidade de absorver golpes. E não tem queixo de vidro. Prova disso está no fato de até mesmo seu preparador ter chegado a desacreditar em sua vitória e ter até dado a impressão de estar buscando, junto à utopia, uma segurança, uma aliança ainda que subliminar ou, se quiserem, uma garantia de que não viria a ser perseguido em tempos posteriores.

Mas temos de ter fé... No mínimo a mesma fé que tem a esperança de que conseguirá encaixar um direto na utopia, pondo-a completamente fora de combate.

E nós, na platéia ao lado do córner verde, estamos torcendo para que a utopia, ao ser atingida, continue seguindo a teoria de Wittgenstein, ligeiramente modificada: sobre aquilo que é indefensável, é mais aconselhável calar.

E, em seu silêncio, acabará por mostrar e expor o queixo de vidro ou o fígado – este, que já deve estar bastante prejudicado – para o golpe de misericórdia, o cruzado de direita que, definitivamente, fará com que ela, a utopia, vá para o lugar de onde jamais deveria ter saído, ou seja, o chão com toda a sua poeira.



Escrito por ryoki às 23h09
[] [envie esta mensagem]



Brasil, uma grande lagoa

Já na apresentação dos candidatos deu para notar a diferença. Um debate entre candidatos à Presidência da República, meus amigos, é coisa séria. Implica no mínimo num certo aplomb. E isso, tanto Alckmin como Cristovam demonstraram. Já HH... Não deixa de ser uma falta de respeito para com o eleitorado apresentar-se usando jeans e uma das famosas – pelo menos esperamos e imaginamos que não seja sempre a mesma – blusinhas brancas de babadinhos rendados. Até parece promessa para mãe-de-santo! Está certo que HH não precisaria estar vestindo Dior, Leonard nem mesmo um modelito Daspu. Mas deveria se apresentar de maneira um pouco mais condizente com o evento que esteve vivenciando. Sua equipe de aspones deveria ter lhe contado que um debate televisivo não é a mesma coisa que o corpo-a-corpo nas ruas.

Mas, deixando de lado as críticas sobre a indumentária da top HH, acho que todos os que assistiram o debate tiveram a oportunidade de concordar com o Bufo hirsutus: a virulência da onça alagoana mal se conteve. Aliás, só não extravasou de vez por causa da ausência batraquial. Se ele ali estivesse, o Paranoá seria pequeno para tanta água e lama esparramada.

Sem a majestática presença do Bufo rex, o encontro de candidatos – mesmo porque debate, pelo menos para mim, tem uma outra conotação, algo assim como um jogo de perguntas e respostas rápidas, inteligentes, objetivas e precisas, não uma exposição de idéias em que as perguntas muitas vezes não são mais do que pequenos e delicados ganchos aproveitados para emendar explanações completamente fora do assunto proposto – até chegou a parecer um encontro de compadres. Exclua-se a comadre, uma vez que HH não fez mais do que lamentar e condenar o passado, aproveitando para atacar FHC sempre que atacava Lula, obviamente visando solapar o terreno pisado por Alckmin.

O jogo foi no mínimo interessante. Cristovam e Alckmin pareciam estar combinados, jogando no mesmo time. Um dava a deixa e o outro emendava. Bastante civilizada a atitude. Não duvido que, se milagres existirem e Alckmin chegar ao Planalto, este convide Cristovam para uma pasta. Provavelmente a da Educação, tendo em vista que é este o foco – e praticamente o único tema – da campanha do ex-reitor da UnB. Na verdade, não seria uma má aquisição.

Enfim, num balé bem orquestrado, os dois conseguiram expor minimamente seus planos de governo. Pena que o Bonner tenha sido tão exigente em questão de contagem de tempo e, com isso, acabamos – nós os telespectadores – ficando com uma desagradável sensação de coito interrompido.

Já HH mostrou bem a que veio. Sua incontestável virulência – queixa principal do Bufo pseudo-rex – transpareceu com terrível e triste nitidez. A mágoa de sua expulsão do PT saía por todos os poros, deixando a clara impressão de que, com ela, o revanchismo seria uma meta.

Cristovam deu a tônica do encontro – recuso-me a chamar de debate – quando, ao encerrar, pediu votos para qualquer um que não seja o presidente-candidato, para que seja possível um segundo turno.

Enquanto isso, o Bufo hirsutus coaxava em São Bernardo – segundo ele, a terra onde nasceu politicamente – ao lado de todo o seu bando, incluindo dois mensaleiros: o professor Luizinho e José Mentor. Absolvidos das acusações não por uma questão de justiça, mas sim de política. Podre, evidentemente.
E entre as muitas coisas que coaxou, saiu-se com esta pérola: “Ainda vou publicar um livro sobre alguns articulistas nesses quatro anos de governo para ver a quantidade de maldades” perpetradas contra ele e sua família.

Seria interessante que fizesse isso mesmo. E que esse livro fosse realmente publicado. Porém, sem revisão e sem copy-desk. Que é para que a posteridade veja a que ponto chegamos. Eleger um presidente assim, até que passa. Num momento de revolta, de tentativa de mudança, admite-se. Mas, depois de quatro anos de desencantos e desencontros, repetir o erro... Aí, já nem mesmo é burrice. É a resignação, a admissão da incompetência de eleger.
Ou, simplesmente é uma questão de fraternidade, de espécie.

Afinal de contas, para a sapa, a coisa mais bonita do mundo é o sapo.
E, segundo as pesquisas eleitorais, pelo menos 50% do povo brasileiro pertence ao gênero Bufo.
Bufo stultus.



Escrito por ryoki às 09h38
[] [envie esta mensagem]



Será que há algo errado?

Na minha ingenuidade e ignorância política – aliás, justificada mesmo porque a política brasileira atual está muito mais complicada do que jamais – não consigo entender o que acontece com as pesquisas eleitorais. Tenho conversado com muita gente e a imensa maioria garante que não quer uma reprise no Planalto. Em miúdos: não vai votar no Lula. E até mesmo diversos petistas conhecidos meus são da mesma opinião, hoje em dia abominando o partido da ética, afirmando que de ético ele não tem mais nada. E permito-me indagar, para os meus botões, se um dia houve ética no PT... Mas, voltando ao assunto, se a maioria das pessoas com quem tenho conversado – e vejam bem que fazem parte de um universo que pode bem ser considerado como amostra, uma vez que são pessoas de níveis sócio-econômico-culturais bem diferentes – diz-se decepcionada com o Lula e com o PT, como é que pode o fenômeno de as pesquisas estarem apontando a possibilidade – quase certeza – de uma vitória de Lula já no primeiro turno? Será que há algo errado com essas pesquisas, ou será que a metodologia utilizada é tão esdrúxula que aponta justamente o contrário da realidade? Para ser sincero, não quero imaginar que possa haver corrupção até mesmo nisso! Porém, lembrando de que estamos vivendo no Brasil e de que estamos atravessando um período histórico que bem poderia ser chamado de Era da Corrupção, tudo se torna possível. Não pode me passar pela cabeça que indivíduos respeitáveis que me dizem votar em qualquer um menos no Lula, ao chegar a hora da urna, mudem totalmente de opinião. Mas pode-se pensar que se esteja fazendo o jogo do obstetra ladino quando ainda não havia o exame de ultrassom capaz de detectar o sexo do feto: dizia para a mãe que ela estava esperando um menino e, na ficha clínica, marcava menina; se nascesse um menino, ninguém viria fazer qualquer pergunta e ele ainda ficava com fama de profeta; mas se o Destino decidisse que viria uma menina e a mãe aparecesse para reclamar, ele simplesmente diria que ela tinha entendido errado. E mostrava a ficha clínica onde estava escrito menina. A esperança é essa. O brasileiro pesquisado pelo IBOPE, DataFolha, CNT/Sensus, Vox Populi e outros, só pode estar fazendo o jogo do obstetra: diz que vota no Lula, mas na hora H vai marcar outro. E, ao se publicar o resultado oficial da votação, o povo dará uma risadinha marota e apurará os ouvidos para tentar ouvir o canto do Bufo hirsutus ecoando ao longe. Muito ao longe do Paranoá. 



Escrito por ryoki às 10h27
[] [envie esta mensagem]



Silêncio Perigoso

Nossa Mestra, Lya Luft, está com a razão. Somos todos alucinados. Porém, ao mesmo tempo, nada fazemos contra esse estado de coisas. Há 43 anos, nós ainda nos reuníamos e discutíamos. Alguns de nós chegaram mesmo a atuar, a correr riscos nas Assembléias de Estudantes, nos pronunciamentos do Carlos Lacerda no Cine Ritz da Consolação (lembra-se?). Hoje, ficamos sentados diante de nossos computadores recebendo e repassando mensagens... Parece mesmo que não lembramos que a massa populacional do Brasil compreende 4/5 de ignorantes (incluindo-se entre estes os pseudo-intelectuais que, na nossa época, eram simpaticamente chamados de "festivos"). Está certo que a nossa arma é o voto no dia 1º de outubro. Mas infelizmente, será uma arma derrotada. A grande massa ignara vai perpetuar a corja de plantão no poder. Talvez tenhamos uma oportunidade, depois das eleições, mas não acredito que seja pacífica. Nossa arma está, creio eu, por ocasião dessa oportunidade, numa Imprensa digna, independente, desvinculada, apartidária. Uma Imprensa que produza Jornalismo e não essa coisa tendenciosa a que temos assistido. Neste momento da conjuntura política nacional, não se trata mais de ficar tentando "manter as aparências" e de ficar com simpatias pessoais para com o Bufo hirsutus do Planalto. Temos de combater - e eliminar - toda a saparia do brejo planaltino. Temos de passar a limpo este país (já ouvimos esta frase antes, possivelmente na ante-sala de alguma pizzaria) e, para tanto, será preciso que os intelectuais façam uso de sua prerrogativa de formadores de opinião. E temos de agir rápido, pelo menos temos de "montar um esquema" de reação. Antes que se concretize o que o Bufo hirsutus disse para o Straub... Não podemos permitir que um governante fale que tem vontade de fechar o Congresso. E não podemos aceitar que a Imprensa - esta que aí está - fique calada, não se manifeste, não divulgue o que aconteceu, deixando apenas que um ou outro colunista teça um comentário. Estamos a caminho da formação de uma União Socialista das Repúblicas Latino-Americanas. Mesmo sendo um modelo comprovadamente falido (o da URSS), o perigo existe, mesmo porque estamos todos cansados de saber que os "líderes" não possuem outra ideologia que não a do poder. Deter o poder, obviamente, com todas as suas benesses.


Escrito por ryoki às 18h33
[] [envie esta mensagem]



O Hatzinger que ruge

E vamos aplaudir a teimosia! Aliás, a teimosia é uma atitude bastante esperada nas crianças e adolescentes que, justamente pela ainda pouca vivência, não são capazes de aceitar que há alguma coisa estranha quando todo um batalhão está marchando errado, com exceção de apenas um soldado.

Herr Hatzinger parece ser esse soldado e toda a cúpula do Vaticano está fazendo o papel da mãe do reco que, orgulhosa, diz: Vejam! Todos estão marchando errado, menos o meu filho!

O nosso Papa conseguiu recriar motivos para uma – agora sim, verdadeira – jihad. Não há no planeta um só islamita que não tenha se sentido profundamente ofendido por aquele seu desastrado pronunciamento em Regensburg. E é evidente que sinceros e justificáveis sentimentos de raiva e vingança emergiram fazendo com que o clamor inicial acabasse por se transformar em atos de violência.

Porém, nos dias de hoje, uma guerra santa não é movida apenas por conceitos religiosos, mas também por motivações políticas e econômicas que, justamente por estarmos no Século XXI, acabam por pesar mais nas ações e reações advindas de um incidente que, no frigir dos ovos, não deixa de ser uma excelente desculpa para acender o estopim.

Herr Hatzinger fez a besteira. Como uma criança, que fala sem pensar. Não contente, persistiu na burrice e está teimando em não se desculpar. Como um adolescente que não quer reconhecer o erro.

O resultado está aí: movimentação em torno das armas, todos prontos para usá-las contra o catolicismo.

Só contra o catolicismo? Só contra o Vaticano?

Não. As bandeiras queimadas em Basra não foram apenas as do Papa, mas também as de Israel – que nada tem a ver com Herr Hatzinger – e dos USA – cuja maioria populacional não é católica.

A guerra santa eclodirá entre o Oriente Médio – leia-se islamismo – contra o Ocidente, independentemente das religiões abraçadas.

As ameaças de ataques terroristas contra o Vaticano têm uma conotação diferente. Parece que ouvimos os líderes islâmicos – na verdade líderes políticos que seguem o Islã, ou dizem que seguem – falando: Vamos atacar o Vaticano para provocar a reação dos americanos.

Será que Herr Hatzinger não imaginava que aquele seu pronunciamento haveria de detonar uma reação desse porte por parte dos islamitas? Ou será que ele apenas quis testar o quanto de costas quentes ele tem?

Seria bom que algum desses cardeais que vivem no meio do luxo e intelectualidade do Vaticano soprasse no ouvido do Papa que o orgulho por não querer reconhecer o erro – e conseqüentemente, pedir desculpas – pode levar a conseqüências muito mais sérias até mesmo do que foi o 11 de Setembro. E, em algum momento desse conselho, tentar injetar na mente do Herdeiro de São Pedro, a idéia de que o rato, para rugir, tem de no mínimo estar bem defendido pelo leão. Aliás, pelo verdadeiro leão.



Escrito por ryoki às 17h59
[] [envie esta mensagem]



O atraso que vem de cima ou O Regresso para a Idade Média - 1

A Atlantis teve êxito em sua missão. Pelo menos, até o presente momento, tudo está correndo bem lá em cima, fora a perda de um parafuso, uma porca e uma mola. Segundo consta, a porca sumiu no espaço, sem causar maiores preocupações momentâneas. Já o parafuso e a molinha, por terem escorregado pela fuselagem da nave, deixam uma ponta de medo de que eles penetrem em algum lugar indevido e venha a prejudicar fios e tubos...

Mas acho que tudo vai dar certo. Afinal, não é a primeira vez que o homem tenta colocar um parafuso, este não entra, cai e simplesmente desaparece. E o carro continua funcionando normalmente. Esperemos que o mesmo princípio se aplique a uma nave espacial.

Contudo, trapalhadas à parte, é inegável o valor científico do feito. Ir ao espaço, passear entre os corpos celestes, deixar a prisão da gravidade... Ninguém poderia sequer imaginar isso sete séculos atrás.

Aliás, até mesmo bem depois disso, até que terminasse o horror da Inquisição, perigava alguém que ousasse pensar nessas loucuras ir para a fogueira. Hoje, quem não acredita que isso seja possível é que se torna queimado entre seus amigos, conhecidos e até mesmo parentes.

O mundo evolui, o que vale dizer que o homem evolui.

A todo instante estamos vendo o progresso da Ciência, os novos medicamentos customizados de acordo com o DNA do paciente, as novas técnicas de cura que implicam na utilização de células muito jovens (não quis dizer células-tronco justamente para não despertar a polêmica antes da hora).

E, ao lado disso, o que vemos, também?

Vemos a Igreja Católica posicionar-se contra a utilização de embriões inviáveis – mas não tão inviáveis que não pudessem produzir as tais células jovens imprescindíveis para o tratamento de tantas pessoas e que, até poucos anos atrás não tinham mais esperanças de poderem continuar vivas. Vemos nosso Papa, Herr Hatzinger, dizer que a teoria do evolucionismo é irracional... Vemos todos os padrecos, padres, cônegos, bispos, arcebispos, cardeais e o próprio Papa queixarem-se da formidável diminuição das vocações religiosas. Mas, o que não se mostra à mídia, é que a própria Igreja Católica cria os mais inacreditáveis entraves para quem quer manter uma mínima que seja chama de religiosidade.

Por exemplo, há seis meses quero batizar minha neta, e não consigo. O padre exige que os padrinhos façam um curso de padrinhos e – o que definitivamente inviabiliza qualquer tentativa de batizá-la – seus pais, meu filho e minha nora, não são casados na Igreja.

Conclusão: Caroline provavelmente será ovelha de outro rebanho, uma vez que este pastoreio a recusou, e o resto da família correrá o risco de extraviar-se e passar a seguir um outro pastor que proporcione pastos mais fáceis de digerir e água sem tantos lobos por perto.

Não tivéssemos sido criados em regime estritamente católico, minha mulher e eu, com certeza teríamos aceitado o oferecimento de um nosso conhecido, umbandista, que garantiu não ser preciso nenhuma frescura para batizar a menina num terreiro de candomblé...

Voltando ao nosso Herr Hatzinger, fico imaginando se ele alguma vez já pensou por sua própria cabeça, deixando de lado os mofados livros em latim escritos até antes da Idade Média e os velhos grimoires cheios de fórmulas e de orações que os padres da Idade das Trevas escreviam – e escondiam deles mesmos.



Escrito por ryoki às 19h12
[] [envie esta mensagem]



O atraso que vem de cima ou O Regresso para a Idade Média - 2

Não posso acreditar que um homem – sim, pois não deixa de ser um homem, tanto assim que nasceu e há de morrer – como Herr Hatzinger, vivendo em pleno século XXI e com a obrigação de fazer uma aproximação da Igreja com a Modernidade, possa continuar a pensar que Darwin nada mais era do que um herege pecador e que a vida na Terra surgiu pura e simplesmente de um sopro de Deus. Assim, sem mais nada, sem a menos interferência do movimento browniano de moléculas, sem nenhuma obrigação de adaptação para a sobrevivência. Se isso fosse verdade inconteste, onde estarão os dinossauros vivos nos dias de hoje? E os mamutes? Por que eles perderam o pêlo, diminuíram as presas e alargaram as patas? Por que, enfim, transformaram-se em simples e simpáticos elefantes?

Não estaria aí uma prova da validade do evolucionismo?

E não haveria uma certa analogia do pensamento de Herr Hatzinger com o de um seu outro execrável conterrâneo, Herr Adolf, no que concerne a uma tendência de purificação, não étnica, mas sim religiosa? Por que o nosso Papa há de colocar o Deus dos Muçulmanos num plano inferior, ou seja, por que ele haveria de desdeificar Alá, se Alá é nada mais e nada menos que o nosso Deus para os muçulmanos? Teremos de todos os componentes da humanidade sermos filiados ao mesmo partido religioso? E onde está o privilégio – aliás dado pelo próprio Deus, embora não haja certidão do Céu com firma reconhecida, como bem queria o Poetinha – do livre arbítrio? Então Abdallah tem de adorar o Deus dos católicos porque aquele que lhe foi incutido desde as mais priscas eras simplesmente não vale?

E, para finalizar, Herr Hatzinger condena veementemente as guerras santas. Concordo. Toda e qualquer guerra deve ser condenável. Mas ele posicionar-se como se o catolicismo jamais tivesse partilhado dessa tendência, é um absurdo histórico. Então as Cruzadas – devidamente abençoadas pelos Papas de plantão – não foram guerras santas?

E quando Herr Hatzinger diz que o caminho para Deus jamais passa pela violência, como fazem os muçulmanos que impõem à custa de armas a fé no Corão, está esquecendo que a Igreja Católica fez igual, se não pior ainda, na época da Inquisição, quando obrigava judeus a negarem sua fé e – até mesmo mudando seus nomes – abraçarem o catolicismo. Sob pena de fogueira, se acaso se recusassem.

Na Homilia da Missa que oficiou em Regensburg, Alemanha, Herr Hatzinger condenou o fanatismo. Também concordo. Todo e qualquer fanatismo, especialmente o religioso, tem de ser condenado. Mas nosso Papa nada disse sobre a Opus Dei... E olhem que ela é apenas uma migalha de fanatismo dentro da Religião Católica.

Mas vamos deixar essa história da Opus Dei para uma outra ocasião, caso contrário vamos ficar escrevendo horas a fio...

Por enquanto, por hoje, apenas vale deixar aqui registrada a minha decepção com relação ao mais alto dignitário do Catolicismo, aquele que é o representante de Deus na Terra e o ocupante do Trono de São Pedro: não dá para entender por que não se pensa em evolução, dentro do Vaticano.

E, se não para evoluir, então o Vaticano deveria ser iluminado à luz de velas, usar tambores e pombos-correio no lugar de telefones e internet, andar de jegue em vez de usar um papamóvel e, por fim, jamais por os pés dentro de um avião – afinal se Deus quisesse que os homens voassem, ter-lhes-ia dado asas.



Escrito por ryoki às 19h12
[] [envie esta mensagem]



O Brasil é maior do que seus políticos

Mas será, mesmo? Ou, melhor perguntando, se for, por quanto tempo agüentará? Será que Deus é tão brasileiro a ponto de nos dar a capacidade de resistir eternamente a tudo isso que é feito – pelo menos parece – de propósito para destruir este país? Ou será que Ele é tão pândego que só pensa em gargalhar das coisas realmente inacreditáveis que vemos acontecer por aqui?

Muitas vezes penso que é esta segunda alternativa a mais válida. Deus se entristece assistindo de Seu trono no Céu as barbaridades cometidas no Iraque, no Afeganistão, na Chechênia e em muitos outros lugares. Certamente chega a derramar Suas lágrimas divinas ao ver tantas crianças morrendo de fome na África... Muito provavelmente revolta-se com a teimosia dos homens que insistem em produzir armas de destruição em massa. Irrita-se com a excessiva ganância dos poderosos que, para se tornarem ainda mais poderosos – e só para isso, realmente, pelo poder – não hesitam em exterminar os mais fracos que, segundo esses mesmos poderosos, não têm importância nenhuma, existindo apenas para superpovoar o mundo e, com isso, constituírem populações maiores ainda de famintos. Conseqüentemente, mais problemas para os mais ricos.

Esquecem-se esses mais ricos que só se tornaram assim graças ao trabalho, ao suor e ao sangue desses mais pobres.

Mas estava eu dizendo que Deus – que também tem sentimentos – fica triste com tudo o que vê de errado no mundo. Ora, como diz a Bíblia e nós, pobres crédulos que somos, acreditamos, da mesma maneira que a Ira de Deus é terrível, a Sua tristeza deve ser imensa... E seguindo a teoria da dualidade das coisas, se há uma tristeza imensa, tem de existir... uma pândega também imensa.

Conclusão lógica: a pândega de Deus é imensa.

E Ele há de ter onde descarregar essa pândega, pois não nos é possível imaginar que Ele se desaguache lá mesmo no Céu, pregando peças em São Pedro ou contando piadinhas racistas para São Benedito. Deus tem de ter uma válvula de escape aqui na Terra e...

Penso que estou certo a cada dia que passa e que mais se aproxima do fatídico 1º de outubro, quando haverá a enorme probabilidade de sacramentar-se a maior besteira deste lado do Meridiano de Tordesilhas desde o Dia do Descobrimento, ou seja, quando cerca de 61 milhões de ingênuos farão voltar – melhor dizendo, deixarão permanecer – uma situação de caos, de mentiras, de crimes e de prevaricações jamais vista nesta terra.

Ele, o nosso Deus, só pode achar graça nisso tudo que está acontecendo.

E como não rir? Como não rir de um povo que se deixa enganar permanentemente, que não percebe – ou simplesmente não acredita naqueles que percebem – que tudo isso não passa de uma comédia? E, diga-se de passagem, de uma comédia ruim, daquele tipo pastelão, que o expectador ri mais de raiva do que da impossível graça que lhe foi tentada transmitir?

Como é possível não rir de nossa própria benevolência – para não dizer ingenuidade ou burrice – por nada fazermos apesar de termos visto na telinha, o presidente-candidato descer de um avião da FAB para ir fazer um comício de campanha? Sim... Já sei que os do contra, mesmo amigos meus, dirão que ele foi até aquela cidade numa missão oficial e que o comício aconteceu depois do expediente. Sim... Mas o avião presidencial foi embora sozinho? Ou esperou pelo presidente-candidato? Será que só ele-lá-lá tem direito a condução sustentada pelos contribuintes?

Não vi uma menção de um só jornalista a esse respeito... Onde está a nossa imprensa?

Ah! Já sei! Ela está lá-lá...

Mas... Voltando a Deus. É mais do que sabido que Deus prega – ou ordena, uma vez que, afinal de contas, Ele é o dono de tudo e muitas e muitas vezes nos deixa com a certeza de que somos filhos do leiteiro e não do dono – a humildade.

E deve dar muita risada quando escuta a propaganda eleitoral em que ele-lá-lá diz com a maior cara dura-hirsuta: “Agora, conheço o mundo e o mundo me conhece”.

De fato...

Maior humildade é impossível. Mas, talvez ele-lá-lá tenha razão. O mundo o conhece, especialmente os biólogos que, hoje, têm uma nova espécie para estudar: Bufo hirsutus.

E só espero que Deus, tendo o palhaço de quem rir, deixe um pouco de lado a Sua ira e sorria com benevolência para nós, pobres brasileiros, e permita que surja – agora, acho que mesmo só por milagre – um tuiuiú de bico forte e estômago mais ainda, que engula o Bufo hirsutus e, como sobremesa, faça uma limpeza na lagoa e elimine todos os candirus que por lá-lá se encontram, parece que com a única finalidade de entrar no buraco dos outros...

E, mais uma vez, que me perdoem os tuiuiús, os candirus e, especialmente os sapos, que não merecem ter um colega de gênero tão ruim.



Escrito por ryoki às 22h39
[] [envie esta mensagem]





Escrito por ryoki às 16h37
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]